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A mostrar mensagens de agosto, 2023

Engana-se quem pensar que isto já está resolvido

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Foto: Presidência da República  O desfecho das últimas eleições legislativas na Guiné-Bissau inaugurou uma nova página na luta pelo poder. As trincheiras estão-se a reorganizar claramente para as próximas eleições presidenciais que, se não se criar nada de (a)normal, terá lugar entre o final de 2024 e início de 2025.  O vocabulário está a ser renovado de um lado e de outro. "Trégua" é a palavra-chave do Kim Jon-Umaro Sissoco Embaló, que, apesar de manter o seu apetite absolutista, tem a noção da derrota sofrida pelo seu partido nas últimas legislativas como sendo um mau prenúncio para as presidenciais. Afinal o governo que empurrou o nosso país para o mais fundo dos infernos era da sua iniciativa. "Coesão", "unidade nacional", "perdão", etc., substituíram a ressonância do "império da lei" no cardápio discursivo do PAIGC, maior força política da coligação PAI-Terra Ranka, vencedora das eleições legislativas de Junho passado.  Para Umaro ...

O corredor de violências no Sahel e o Níger feito bode expiatório da ocidentalite em África

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O estado  actual da crise no Sahel já dura uma década, apesar de a sua origem remontar à decada de 1990. No entanto, o último golpe de Estado no Níger parece acordar as sensibilidades para o debate sobre a violência e a democracia na região, mais do que qualquer outro acontecimento dos últimos 10 anos nessa zona da África. Após os militares da guarda presidencial terem derrubado o regime liderado por Mohamed Bazoum, eleito Presidente da República em Abril de 2021 e um dos principais aliados da França na sub-região, as entidades mais próximas à #Françafrique, 'empresa' (neo)colonialista do Estado francês em África, não demoraram a fazerem-se ouvir. A CEDEAO, a UA, a ONU, os EUA, a própria França, apressaram-se a condenar o levantamento militar e a ordenar o retorno de Bazoum ao poder. Era claro que os golpistas liderados por Abdourahamane Tiani não aceitariam essa ordem, tal como eram claras as razões da fúria evidenciada pela França e pelos seus cúmplices africanos e ocidentais...

Contem comigo, mas para continuar a combater o sistema

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"Buli ku kustuma balansa, nim si bentu ka tem, i ta balansa so" - ditado popular guineense  No combate à ditadura sanguinária do Kim Jon-Umaro Sissoco Embaló, até aqui, posicionava-me ao lado do PAIGC (doravante PAI-Terra Ranka), mesmo havendo largas diferenças políticas entre nós. Não preciso de repetir aqui as razões da minha oposição convicta ao que o PAIGC é hoje, enquanto partido político. O que quero afirmar é que, ao assinar um acordo de incidência parlamentar com o PTG (pseudo-Partido dos Trabalhadores Guineenses), liderado pelo principal agente da ditadura instalada na Guiné-Bissau, que comandou os raptos, os espancamentos e as perseguições políticas que aconteceram durante os últimos três anos e meio, a PAI-TR passa a comprar os seguintes problemas com a causa da defesa das liberdades democráticas no nosso país: 1. O primeiro significado desse acordo é o facto de, a partir de hoje, a PAI-TR não ter moral, nem legitimidade, de falar dos raptos, dos espancamentos e da...