Caderneta política do #Mundial2026 (PÁGINA 4)

Foto: FCF

Acaba o sonho do mundial para 7 das 9 selecções africanas presentes na disputa da fase dos 32. Permanecem Marrocos e Egipto na corrida. Das equipas eliminadas, destaque para a sublime participação de Cabo Verde. Os tubarões azuis caíram de pé frente à campeã do mundo Argentina. Costa do Marfim, Senegal e Congo pecaram em detalhes que no futebol costumam custar caro. Gana e Argélia ficaram aquém do esperado. Fica a prova da vitalidade do futebol africano, cujas equipas devem melhorar os níveis de confiança e frieza perante oportunidades históricas. 

O Irão regressa à casa com dignidade após ter sido alvo de retaliação dos EUA com cumplicidade da FIFA. Os jogadores do Congo não terão possibilidades de continuar a usar o palco da copa do mundo para alertar para o desastre humanitário no Leste do país. E a África do Sul volta à casa consciente dos protestos de que foram alvos nas redes sociais por vários cidadãos africanos face à extrema onda de afrofobia no seu país. 

Bósnia foi eliminada pelos EUA e, por isso, os seus bravos adeptos não poderão mais desfilar nas ruas estadunidenses e nas bancadas dos estádios pela #Palestina_Livre e, assim, confrontar a cumplicidade do Estado Yankee com o genocídio praticado por Israel. Mas a bandeira da solidariedade com o povo palestino fica com o Egipto, cujo treinador dedicou a passagem aos oitavos finais "aos egípcios, africanos e palestinos". 

Talvez estejamos perante o mundial mais politizado da história, no sentido do espaço forjado para várias reivindicações políticas por adeptos, jogadores e treinadores. E ainda bem, porque, mesmo sem mudar de imediato as estruturas produtoras dos problemas denunciados, serviu para dissipar a falsa neutralidade no futebol e da FIFA, além de lembrar-nos que há coisas mais importantes na vida do que um jogo. 

Sumaila Djalo

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