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A mostrar mensagens de junho, 2026

Caderneta política do #Mundial2026 (PÁGINA 3)

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Acabou a fase de grupos da copa do mundo. As contas africanas não podiam ser melhores desportivamente: 9 das 10 selecções representantes do continente passaram à ronda dos 32. 5 selecções apuradas como segundas classificadas e 4 em terceiro lugar. 7 treinadores africanos estiveram à frente destas equipas. A força e a técnica, mais a noção das vantagens comparativas em relação a outras selecções, superaram estereótipos e ultrapassaram preconceitos.  Ainda não houve racismo dentro do campo. Esperemos que não haja. Mas não faltou no comentariado à margem dos jogos. O protagonista desta vez é o ex-craque alemão Bastian Schweinsteiger, que não resistiu ao impulso racista de qualificar as selecções africanas de "selvagens". O adjectivo é bastante familiar, não é? Qualquer semelhança com a linguagem nos manuais coloniais não é mera coincidência.  Nas redes sociais, hoje incontornáveis no debate público, notabilizou-se uma onda de apoios de cidadãos africanos às selecções representan...

Caderneta política do #Mundial2026 (Página 2)

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Quando a bola rolar hoje no jogo que marca as estreias das selecções do Congo e de Portugal na copa do mundo, os holofotes não estarão apenas nos protagonistas no limite das quatro linhas. Os actores não serão apenas o Chancel Mbemba ou o Cristiano Ronaldo e suas companhias. Haverá uma figura nas bancadas que não passará despercebida: Michel Kuka Mboladinga, o já emblemático adepto congolês que encarna a figura heróica de Patrice Lumumba.  Tal como aconteceu nos jogos da CAN do Janeiro passado em Marrocos, os jogos dos leopardos africanos serão marcados por esta presença que, parecendo uma simples decoração, é carregada de uma forte memória política anti-colonial. Mboladinga não precisa de verbalizar o significado do seu gesto, se é que ele lhe atribui a função política com que é encarado nestas linhas. Basta-nos associá-lo à figura anti-colonial de Lumumba para captarmos a mensagem que lhe é sublimar. E neste mundial ganha um sentido particular.  A presença de Lumumba através...

Caderneta política do #Mundial2026 (Página 1)

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  Imagem: Manchete do L'Équipe (10.06.2026) Arranca hoje o mundial de futebol de 2026. A 23a edição desde 1930. Os países acolhedores são o México, o Canadá e os EUA. É a primeira vez que a competição é disputada por 48 países. Um facto assinalável, porque alarga as possibilidades de participação de países não-hegemónicos da indústria de futebol dominada pelos poucos multimilionários detentores do grande capital. Cabo Verde, Coraçao, Uzbequistão, Jordânia... são apenas alguns exemplos de selecções que dificilmente estariam na competição se se mantivesse o injusto formato anterior.  Mas há no mundial mais do que a bola redonda para Yamal driblar os adversários ou para Messi e Cristiano reafirmarem que mandam nas suas selecções mesmo em idade de pós-reforma no futebol. Há política no mundial, como em tudo na vida. E sempre houve, apesar da falsa proclamação de neutralidade no futebol.  A FIFA não nos deixa mentir. Podíamos limitar este exercício ao facto de em 2022 o organi...