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A mostrar mensagens de outubro, 2024

"Não nos deixam governar" - crónica de vitimismo demagogo

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  Foto: Facebook do PAIGC  Kuma ku bu lestu ku diskisi  nunde ku bu da ba tapada  bu bin lembra nunde ku bu kai?  Ke ma bu lestu ku diskisi! - Aliu Bari  "Não nos deixam governar", ou "deixem-nos governar e vejam qual será o resultado". As duas frases são-nos familiares. Não são minhas. Quem as tem repetido são os dirigentes do maior partido guineense, PAIGC. Aquele que mais tempo esteve no exercício do poder e que só não venceu 2 das 11 eleições realizadas na Guiné-Bissau desde 1994. Elas transformaram-se no seu cliché preferido desde o capítulo da crónica crise política inaugurado em 2015, quando José Mário Vaz, eleito Presidente da República como seu candidato, decidiu romper o partido ao meio e semear o precedente que levaria Umaro Sissoco Embaló  a ser o seu sucessor. Mas a quem o PAIGC pede para lhe deixar governar? Ao povo não será, porque este sempre lhe deu o seu voto e a sua fidelidade constantemente traída. São aos seus principais adversário...

O que liga a ditadura do Sissoco ao narcotráfico?

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Foto: Facebook do ditadorzeco  Fidju nunka padidu tras di si mame - provérbio guineense  De acordo com resultados de vários estudos , a ligação entre as redes de tráfico de drogas e figuras cimeiras das instituições do Estado da Guiné-Bissau remonta de 2005, na corrente do regresso de Nino Vieira ao poder, depois de seis anos de exílio em Portugal.  De lá para cá, têm sido constantes os episódios de apreensão de toneladas de cocaína no país, com envolvimento de lideranças políticas e militares no seu negócio. Esta reflexão não pretende retomar a longa história de narcotráfico na Guiné-Bissau, que pode ser acompanhada nos estudos referidos no início do texto. Mas pretende pontuar incidentes de tráfico de cocaína ocorridos nos últimos cinco anos e como eles se ligam ao regime no poder.  De acordo com as conclusões da investigação jornalística conduzida por Micael Pereira , do jornal português Expresso, António Injai, Papa Camará (Chefe da Força Aérea) e Mamadu Nkrumah...

A "Comunidade Internacional" nunca resolverá os problemas da Guiné-Bissau

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  Imagem: Nações Unidas na Guiné-Bissau  "Comunidade internacional" - note-se que coloco a expressão entre aspas - é como se normalizou chamar o conjunto dos organismos multilaterais - regionais e mundiais - onde Estados-membros têm assentos e se dizem submetidos a acordos, tratados, cartas... enfim, a um conjunto de regras que são supostas garantir a prática dos valores que dizem defender e a igualdade de tratamento entre os  Estados-membros. Tudo isto, teoricamente, até soa bem. Mas como é que estas organizações funcionam na prática? Não antecipo a resposta. Prefiro traçar uma breve reflexão, partindo de um olhar ao histórico das principais intervenções destas entidades na Guiné-Bissau desde a abertura democrática, com a certeza de que este exercício responderá à pergunta. A dissolução contra-constitucional da Assembleia Nacional Popular (ANP) por Umaro Sissoco Embaló, em Dezembro de 2023; a instituição do fenómeno de pantchidura (machadada) em dois dos principais part...

Brincámos com o fogo e queimámo-nos

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  Foto retirada do Facebook do ditadorzeco  Quem brinca com o fogo queima-se - ditado popular  A cronologia da instituição do absolutismo que hoje governa a Guiné-Bissau é por todos nós conhecida. Mas vale a pena retomá-la aqui para uma série de 5 artigos que conto publicar neste blogue ao longo do mês de Outubro, porque Novembro é mês de mais umas eleições de fantochada na Guiné-Bissau e, desta vez, com o tapete vermelho estendido ao Umaro Sissoco Embaló e aos seus serviçais para, através de voto popular, legitimar e consolidar uma ditadura.  Como é que Umaro Sissoco Embaló tomou a posse para o cargo do PR? Ignorou um contencioso eleitoral a decorrer no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e organizou uma sessão que ele mesmo baptizou de "simbólica", presidida por Nuno Gomes Nabiam, com ampla protecção das forças armadas guineenses, e proclamou-se PR. Eu acredito que ele tenha vencido as presidenciais de 2019/2020. Mas a posse unilateral e contra uma ordem judicial su...