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A mostrar mensagens de maio, 2023

"Gosi ki ora di kanta tchiga" - um tributo ao Zé Maior em tempo de traição ao povo

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  "Gosi ki ora di kanta tchiga Ninguin ka ten garganti" - José Carlos Schwarz (in Tchebendo) Faz hoje 46 anos que o Zé Carlos (como é conhecido pelo povo, seu povo) não está fisicamente entre nós. Ele que aos 28 anos de idade já tinha conquistado um lugar na memória de um povo combatente pela sua liberdade, através de arte produzida na música e na poesia engajadas.  Podia aqui recorrer a várias memórias publicadas dos que com ele partilharam momentos ou a referência fundamental que devemos à grande Moema Parente Augel sobre a sua vida e obra, justamente intitulada de "Hora di kanta tchiga" - 1997 - (É hora de cantar), para falar do homem que é, indiscutivelmente, o maior e melhor nome de sempre da música guineense. Mas não o faço, porque tal exercício tirava o foco que pretendo para esta breve nota de homenagem, mas sobretudo de protesto.  Escrevo recordando do Zé Carlos num tempo em que músicos que convencidamente achávamos serem de "intervenção", no sent...

Eleições num contexto de ditadura é distração

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Ontem, mais uma vez, deu-se início a campanha eleitoral na Guiné-Bissau, para eleições de escolha de 102 deputados à Assembleia Nacional Popular (ANP). O Ministério do Interior já veio apelar à colaboração dos partidos envolvidos no processo para um ambiente de segurança. Para além de irónico, o aplelo do Ministério do Interior contém uma dose muito consciente de cinismo, dado que é a mesma instituição que, apesar de a sua missão ser de garantir segurança à população, tem assumido, ao longo dos três anos do sissoquismo, a missão de espalhar terror e violência contra o povo que agora é chamado a participar naquilo a que hipocritamente se considera de festa de democracia no nosso país.  O despositivo eleitoral assegurado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) é uma das poucas coisas confiáveis do Estado da Guiné-Bissau, porque os procedimentos logísticos e legais que levam às eleições garantem suficiente transparência na condução e desfecho do processo. Numa situação normal, bastar...

Unir os trabalhadores na Guiné-Bissau será o primeiro passo para enfrentar o sistema

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Foto: UNTG-CS No passado dia 1 de Maio, assinalou-se o Dia Internacional dos Trabalhadores. Como se tornou hábito, esta data é comemorada na Guiné-Bissau com muitas festas e piqueniques, em todo o país, mas com nenhum espaço para reflexões engajadas sobre a situação dos trabalhadores no país e sobre uma população maioritariamente jovem, porém, desempregada e sem perspectivas para o seu futuro.  Porquê reflectir a sério sobre os trabalhadores na Guiné-Bissau? Uma das principais consequências da desgovernação da Guiné-Bissau é o facto de o país se ter transformado em "terra de ninguém", onde quem governa pode fazer o que quer do erário público e os que se encontram fora das rédeas do poder, a espreitar uma oportunidade para ter a chucha de roubo do dinheiro público à sua disposição, nunca assumem uma postura radicalmente diferente, no sentido de contrariar a lógica de caos generalizado em que o país é gerido, justamente porque os actores políticos envolvidos na luta pelo poder ...