Caderneta política do #Mundial2026 (Página 1)

 

Imagem: Manchete do L'Équipe (10.06.2026)

Arranca hoje o mundial de futebol de 2026. A 23a edição desde 1930. Os países acolhedores são o México, o Canadá e os EUA. É a primeira vez que a competição é disputada por 48 países. Um facto assinalável, porque alarga as possibilidades de participação de países não-hegemónicos da indústria de futebol dominada pelos poucos multimilionários detentores do grande capital. Cabo Verde, Coraçao, Uzbequistão, Jordânia... são apenas alguns exemplos de selecções que dificilmente estariam na competição se se mantivesse o injusto formato anterior. 

Mas há no mundial mais do que a bola redonda para Yamal driblar os adversários ou para Messi e Cristiano reafirmarem que mandam nas suas selecções mesmo em idade de pós-reforma no futebol. Há política no mundial, como em tudo na vida. E sempre houve, apesar da falsa proclamação de neutralidade no futebol. 

A FIFA não nos deixa mentir. Podíamos limitar este exercício ao facto de em 2022 o organismo ter suspendido a Rússia das suas competições após a injustificável invasão à Ucrânia e manter-se em silêncio, inactivo, perante três anos de genocídio do Israel na Palestina. Mas a FIFA não nos perdoaria, de tão hipócrita que é!

A cumplicidade dos organizadores deste mudial com a mais perversa política começou quando em Dezembro passado Giano Infantino, presidente da FIFA, inventou um prémio de consolação ao seu amigo Donald Trump e que chamou de "Prémio da Paz da FIFA", numa clara violação do Código da Ética da entidade regente do futebol mundial. Dias antes desta acção de apoio político, Infantino criticara o Comité do Nobel por não ter atribuído o título ao seu "amigo" estadunidense. 

Engana-se quem pensava que acções políticas à margem do mundial parcialmente disputado nos EUA ficava naquela campanha política do Infantino ao Trump. À porta da competição máxima do futebol das selecções, a administração trumpista soma e segue na retaliação a comitivas e profissionais ligados ao futebol de países alistados no seu caderno de hostilidades imperialistas. Segue a lista

13 membros da comitiva da selecção iraniana foram impedidos de entrar nos EUA. Além de adeptos com bilhetes comprados e hotéis reservados a quem se recusam vistos de entrada nos EUA. O Irão é obrigado a instalar-se no México antes do seu jogo inaugural nos EUA, diferente de outras selecções na mesma situação. Lembremo-nos, já agora, da invasão israelo-estadunidense em curso no Irão. Elementos da seleção da Uzbequistão foram sujeitos a uma humilhante sessão de revista à chegada ao país para um amigável com os Países Baixos. O estrela iraquiano, Aymen Hussein, foi submetido a uma sessão de revista de 9 horas num aeroporto em Chicago. E um árbitro somali, Omar Abdulkhadir Artan, quadro da FIFA e considerado o melhor da África, submetido a 11 horas de interrogatório tortuoso pelos serviços de migração e impedido de pisar os pés no solo acolhedor do que era suposto ser maior encontro de futebol mundial. Razões legais? Nenhumas! São os EUA a mostrar ao mundo, de novo, que faz o que quer das organizações internacionais. Até mesmo as do futebol, onde se produz o engano de que não há política. 

Não haverá, seguramente, o mesmo no Canadá, nem no México, contra as comitivas das selecções com jogos a disputar nessas terras. Nem o mesmo acontecerá às selecções ocidentais e de Estados serviçais dos EUA nas suas terras. Os alvos são identificados e são todas as selecções dos países não alinhados de alguma maneira com o império yankee.

Sumaila Djalo 

Comentários

  1. Há um denominador comum entre os países que enfrentaram essas burocracias no solo norte-americano. Não foram meras coincidências, tudo tem um propósito.

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